inicioAulanaluabiografiadiscografiaLetrasMediacontato
ver capa do cd
escutar


AULANALUA é um disco de banda. Esta é a principal característica deste trabalho: A fidelidade à música ao vivo. É um exercício de criatividade, que depende do talento de cada um dos músicos do grupo. Ainda que as canções tivessem sido tocadas em shows, e preparadas nos ensaios antes do estudio, os músicos tentaram não repetir caminhos já trilhados. Tinham a segurança de um bom ponto de partida, e puderam provar várias alternativas durante as gravações.

Do ponto de vista musical, este disco é o resultado da soma de interpretações de cada um dos componentes da banda, e da busca e posterior consolidação de um som próprio. AULANALUA é o trabalho de músicos que tocam juntos dentro de um estúdio de gravação, com muita liberdade para criar.

O mais importante da produção do disco foi, desde o começo, possibilitar o fiel reflexo do processo criativo do grupo. O estúdio de gravação funcionou como um laboratório, onde buscava-se a frescura das versões, sem receios para provar novos caminhos para a interpretação.

AULANALUA é um disco de autêntica música ao vivo. Ainda que as vozes fossem substituídas posteriormente, o caráter principal da produção não se alterou: Refletir a energia do intercâmbio entre os músicos. As (re) gravações posteriores perseguiam somente um ajuste tímbrico. O DVD, com as imagens da gravação, mantém intactas todas as vozes originais de Leo, como também o som dos primeiros takes do violão.

Desfruta-se muito escutando o que faz esta banda: Huma (guitarra e samplers), Borja Barrueta (bateria) e Luismi Baladrón (baixo). Muita liberdade na expressão musical. Nota-se a implicação de cada um dos músicos do grupo. (Uma banda deve ser uma formação em que cada intérprete sente como se fosse sua a música que toca. E o compositor é quem se nutre da criatividade que fornece livremente cada um dos músicos para a interpretação das canções).

 


Ter Suso Saiz dirigindo a produção supõe um privilégio. É muito importante contar com um produtor que insiste em ver a música de uma maneira atípica e sugestiva. A música além do estritamente musical.

A necessidade de contar com a generosidade para a produção –pela capacidade de se colocar no lugar do virtual ouvinte- em nenhum momento da gravação se confundiu com a conveniência da presença de um lugar-comum estético, de suposta fácil aceitação. Para imprimir caráter a uma produção, é importante evitar o que se faz-para-que-as-pessoas-gostem. E, ao mesmo tempo, aprendera detectar e a renunciar ao lugar-comum sem renunciar à generosidade. Este é o difícil –mas não impossível- equilíbrio a partir do qual pode-se compreenderas intenções de Suso Saiz como produtor.

Para o Suso é imprescindível valorizaro contraste como elemento indispensável à produção. Quando as idéias chegam, é necessário contrastá-las! É a situação ideal para que um disco esteja vivo e dê os seus frutos. Para lográ-lo é importante estar juntoa um produtor que acredite no benefício do contraste –e o provoque!- junto aos artistas. Suso é um grande interlocutor.

Creio que Suso Saiz, também, produz com a capacidade de manter a ingenuidade intacta. A criatividade e a ingenuidade caminham juntas muitas vezes.(É possível que a criatividade agradeça que seja assim!). Aí reside a grandeza do Suso. Desfruta-se também da grandeza ingênua que ele contagia.

 


Se do ponto de vista musical AULANALUA não está concebido como exercício estilístico, tampouco foi engendrado como exercício conceitual em relação aos textos. Mas o jogo dos pequenos palíndromos da canção que dá título ao disco sugeriu o posterior encaixe das demais canções no repertório, refletindo uma idéia comum entre elas.E a imagem da lua aparece quase sempre.

A canção que o título ao disco está feita posteriormente ao atentado terrorista do 11M em Madri,mas sem referências explícitas na letra ao fatídico acontecimento. A sensação de tristeza, o absurdo daquela situação, e o fato de que o compositor não compartisse a convicção de que o que ocorreu era inevitável, o levaram a refletir sobre o que somos, do ponto de vista da imagem que costumamos ter de nós mesmos, e do ponto de vista da imagem que possam fazer de nós os demais.

O autor se deixou levar –num sonho- até a lua, de onde junto a outras pessoas, como desdobrados e distanciados de si mesmos, tentaram observar o seu reflexo na Terra. A canção “Aula na lua”, que dá nome ao disco, fala da experiência ante este reflexo –ou reflexos- observado de um lugar distante: a lua.

“Aula na lua” é uma canção que fala, enfim, tal como se expressa Leo: “...dessa pequenez cósmica do gênero humano. (...) Involuntariamente, esta idéia se converteu no fio condutor de boa parte do repertório do disco, onde a lua é, curiosa e inesperadamente- porque tampouco havia desde o começo esta intenção-, uma imagem recorrente”.

 


O disco tem convidados destacados:

Marina Machado: Artista emergente no Brasil. Uma voz personalíssima, um belo timbre. Grande cantora. Depois de gravar no disco mais recente de Milton Nascimento e de participar na sua turnê internacional, este renomado artista decidiu produzir o próximo disco de Marina. O sugestivo clima criado por Suso Saiz na canção que interpreta Marina deu ainda mais relevo a sua voz.

Ivan Ferreiro: Um turbilhão. Incrível musicalidade. O seu novo disco tem –entre outros muitos logros- uma das canções mais belas do pop-rock feito na Espanha. Visceral.

Moska: Artista de referência no pop-rock feito no Brasil. Cantautor do Rio de Janeiro, consolidado há muito no panorama nacional. Seu disco mais recente (“Tudo Novo de Novo”) está também publicado e distribuído na Espanha. Um luxo poder desfrutar do seu talento.

Javier Álvarez: Referência indiscutível no panorama da canção feita recentemente na Espanha. Há que apontar a sua peculiar e elegante aproximação à música brasileira, assim como o seu senso de humor e a versatilidade dos seus múltiplos registros de voz.

Javier Vercher: Saxofonista e compositor valenciano que desenvolve a sua carreira nos EUA. Grande personalidade no seu som. A canção que gravou Vercher é um primeiro take autêntico. Este artista tem um disco editado por FRESH SOUND junto a Bob Moses, entre outros. Sua intervenção em AULANALUA é uma homenagem ao jazz iconoclasta.

Pablo Martin-Caminero: Outra contribuição jazzística ao disco. Contrabaixista dos mais solicitados no panoprama atual do jazz e do flamenco na Espanha. Ainda que o disco tenha um som mais próximo ao rock, o timbre do contrabaixo segue como una alternativa pela qual Leo Minax se sente profundamente atraído.Acaba de publicar o seu primeirodisco autoral : “Doméstica”.

Arnaldo Antunes: No site deste artista, um dos maiores artistas brasileiros de todos os tempos, se encontram umas palavras escritas por André Midani: “...Arnaldo Antunes é uma das pessoas mais bonitas que encontrei durante meus muitos anos de homem de discos e de vida”.Leo teve a mesma sensação quando entrou ao camarim do artista e conheceu Arnaldo Antunes em Madri: Aí mesmo Leo lhe propôs participar de um disco que se chamaria AULANALUA. (O Arnaldo gostou muito do título!). Felizmente, Antunes disse que sim! Generosa e imediatamente somou-se ali mesmo ao projeto! Generosidade também fora do palco, fato que Leo Minax comprovou.

 


Muitas das canções do disco têm a autoria compartilhada: Os colaboradores de AULANALUA:

Nancy Strauss: letras de “Invenção do relógio” e de “Moonsong”.

Celso Adolfo: letras de “O Caraça”, “Mesma História” e de “Cirandando”.

Marcelo Sarkis: letras de “Tu para mi” e de “Depois da chuva”.

Chico Amaral: letra de “Tempo de samba”.

 

 

Texto de Arrigo Zando (Las-Emociones-en-Serie)

 

© LeoMinax.net 2006 | Diseño: ZuriNegrin.com | Fotos: Jerónimo Álvarez
Todos los derechos reservados